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INVENTÁRIO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL DE CAMPOS

Resumo:

O que é o Patrimônio Imaterial?

São tradições, saberes, festas, músicas e manifestações transmitidas de geração em geração.

E para que é necessário a elaboração do inventário? Qual é seu objetivo?

  • Ele protege práticas culturais ameaçadas por mudanças globais e urbanas;

  • Ele fornece o senso de pertencimento e identidade entre os moradores;

  • Evita o esquecimento das tradições que moldam a identidade cultural.

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Como esse acervo é feito?

  • Pesquisa de campo em comunidades locais;

  • Registro documental e audiovisual das práticas culturais;

  • Uso do modelo de Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) como base;

  • Criação de banco de dados e disponibilização em plataformas digitais.

 

 

 

 


“Sem memória, sem identidade, existe um lugar?”

Campos dos Goytacazes não é apenas um território marcado por rios, canaviais e casarões históricos — é uma alma viva, pulsante, feita de vozes que ecoam entre o passado e o presente. Cada rua antiga, cada festa de santo, cada toque de tambor do jongo ou samba de roda guarda fragmentos do que somos: herdeiros de uma cultura tecida na resistência, na fé e na celebração da vida.

No compasso do Jongo de Noinha, o corpo fala antes mesmo da boca. O tambor vibra como o coração do Quilombo Custodópolis — símbolo da força e da ancestralidade negra em Campos. É ali, entre palmas e cantigas, que a história ganha voz, e o passado se faz presente a cada batida.

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São saberes tradicionais — como o artesanato e a gastronomia local, os quais se dão através das mãos — que transformam o cotidiano em arte. Esses gestos, repetidos e reinventados, são patrimônio vivo: herança e resistência frente à pressa do mundo moderno.

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Nas ruas de Campos, as festas religiosas e folclóricas misturam fé e alegria. De Santo Amaro, no dia 15 de janeiro, com seus milhares de fiéis fazendo uma caminhada ou romaria pela fé.

 

“Está cavalhada de Santo Amaro é muito mais do que uma manifestação cultural que representa o povo da Baixada Campista, a memória coletiva, a cultura que se expressa. É um legado passado de pai para filho, que se manifesta no dia a dia dos cavalheiros, das artesãs, das famílias envolvidas.  A cavalhada é uma tradição viva e sempre atraente. Expressa por um lado a arte e a representação lúdica e simbólica de um passado heroico, inspirado na defesa da Fé e da liberdade religiosa dos cristãos. “ Dom Bernardo Queiroz – monge Beneditino.

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Cada comemoração é um ritual de pertencimento. As escolas de samba e blocos carnavalescos, como o Teimoso do IPS, transformam o asfalto em palco e a memória em espetáculo. É a arte popular que resiste ao esquecimento.

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Esse é o famoso Ururau da Lapa, um jacaré gigante, de papo amarelo, o qual virou marca registrada da cidade. Diz a lenda que, há muitos anos atrás, um rapaz foi jogado no Rio Paraíba do Sul e, assim, cada versão conta um motivo diferente. 

Entre uma das explicações para tal acontecimento trágico, o rapaz vindo de família humilde havia se apaixonado por uma filha de um dos barões poderosos do local. Seguindo esse contexto, esse homem afortunado ficou muito enfurecido e acabou dando um jeito de evitar esse romance impossível.

 

No fundo das águas, o jovem inconformado com seu fim se transformou em um enorme jacaré. E, dessa forma, ele começou a atacar embarcações, cuja uma delas levava o sino da Igreja da Lapa.

O Ururau acabou se apossando desse sino e, até hoje, dizem que ele mora dentro dele. Nas noites de lua cheia, o Ururau sobe à superfície e ronda a Igreja da Lapa. E, quem passa por lá, relata sentir um arrepio diferente no ar…

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A memória não é um arquivo morto — é chama.

E cada morador de Campos é guardião dessa luz.

O inventário não é apenas um documento: é um ato de amor.

Bolsista: Laura Cúrcio Campos Joy

Orientador(a): Mª Catharina Reis Queiroz Prata

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